sábado, 21 de novembro de 2009

Castelo Branco - 17/10


Não vou arriscar grandes comentários sobre Castelo Branco. Já era noite, quando chegamos à cidade. Não foi difícil encontrar um hotel para nos instalarmos. Ficamos no Rainha D. Amélia, uma construção moderna e confortável. Tomamos um banho e saímos para jantar. A cidade nos pareceu próspera e, de fato, é a mais importante da Beira Baixa. Mas os vestígios da história estão muito dispersos e o que vimos foi a cidade moderna, com prédios altos, obras em vários pontos e nada que atraísse a nossa curiosidade de turistas. Não à noite. Não encontramos nem um restaurante típico, só barzinhos, com música alta, jovens tagarelando por todo canto e um cardápio típico do ambiente. Ou então, lanchonetes, com mesas de fórmica e luz branca. Por fim, achamos um restaurante bem médio, mas que nos serviu iscas de fígado, sopa de legumes e um lombo, não me lembro mais com o quê. Voltamos para o hotel bastantes frustrados.











No dia seguinte, logo depois do café, fomos direto conhecer os Jardins do Paço, ao lado do antigo palácio episcopal. O projeto, de inspiração barroca, é do século XVIII, do bispo João de Mendonça, se estou bem lembrada. É bem interessante e merecia ser visto, mas tenho de admitir, é muito bizarro também. Tem estátua para tudo quanto é gosto: dos signos, de anjos, das virtudes, dos reis, de santos, um samba do crioulo doido. São estátuas de pedra, não sei exatamente qual, acho que é granito, sei que não são de pedra sabão, como as que temos por aqui. O que fiquei sabendo é que, originalmente, eram de bronze e foram pilhadas, durante as invasões francesas, mas essa é outra história. Enfim, foi visto.
O jardim possui três grandes escadarias. De um lado, a Escadaria dos Reis, onde estão representados todos os reis de Portugal, inclusive o primo, D. Duarte. De outro, a escadaria dos Apóstolos e mais à direita, a Escadaria dos Doutores da Igreja. Fizemos poses em todas elas e junto às estátuas das Virtudes Teologais, especialmente, a da Esperança; das Virtudes Cardinais, ao lado da Justiça e da Prudência; dos signos de Zodíaco, Gêmeos e Câncer; das Estações do Ano, a da Primavera, é claro. Não registramos aquelas que representavam as Partes do Mundo e nem dos Novíssimos do Homem - a Morte, o Juízo, o Inferno e o Paraíso. Nem entendi isso e nem outras alegorias que já me esqueci.















Castelo Branco é uma cidade também conhecida por suas colchas de seda bordadas, mas não tivemos tempo para sair procurando por elas. Fiquei apenas com o que já sabia: são colchas de linho bordadas com fio de seda natural, de inspiração oriental, que se tornaram conhecidas a partir de meados do século XVI. Alguns dos elementos desses bordados, conforme vi na wikipédia e não nas vitrines do comércio da cidade, são cenas domésticas e a árvore da vida; os desposados, representados por pássaros juntos, os cravos e rosas, representando o homem e a mulhres e ainda lírios e corações.A manhã já estava se esgotando e o nosso objetivo naquele momento era chegar em Évora a tempo ainda de passear pela cidade. Tudo bem, que em Portugal tudo é perto, mas existe sempre um caminho entre dois pontos para nos seduzir.

Cidade Misteriosa - 16/10


Foi por sugestão mesmo do sr. José, de Sabugal, que incluímos no nosso roteiro a cidade de Sortelha. Cidade é modo de dizer, na verdade, Sortelha é uma aldeia, que foi tombada pelo patrimônio histórico e hoje abriga apenas os mais antigos moradores do vilarejo, uma população de 20 ou 30 pessoas, se muito. No caminho, cortamos estradas bem parecidas com as nossas, estreitas e curvas. Demos sorte, pois foi nessa travessia que conseguimos ver os pastores vigiando seus rebanhos. Vimos de dentro do carro e não conseguimos um acostamento que pudéssemos estacionar para bater um dedo de prosa com os rapazes. Foi pena.

Seguimos o nosso caminho e em alguns trechos nos lembramos de Ouro Preto. Não pelas construções, mas pela paisagem, de morros mais baixos, mas de pedras encrustadas nas encostas, como as que temos por aqui.
















O portal de Sortelha, que se abriu para nós e nos apresentou uma cidade misteriosa e encantadora.
A chegada a Sortelha foi emocionante. Atravessamos um portal de pedras enorme e demos de cara com uma cidade que parece um presepinho, instalada ao pé de um morro, com as ruas costurando as encostas e rodeadas de casas de granito, com janelas e portas pintadas de vinho e todas razoavelmente bem conservadas. Mas desabitadas, como já expliquei. Isso dá à vila um ar de cidade fantasma, que desagradou bastante o meu caçula. "Não vejo graça numa cidade abandonada, sem gente, sem movimento, sem vida" - lamentou ele. Mais tarde ficaria mais conformado, mas sem mudar de opinião.

Estacionamos o carro na praça principal. Assim que descemos, encontramos duas portuguesinhas maravilhosas: dona Encarnação e dona Felismina. Elas estavam sentadinhas, esquentando o sol e trançando cestos de brecejo, uma fibra típica da região. Não resisti e puxei conversa. Como boas portuguesas, reclamaram da vida, das restrições que passam desde que a vila foi tombada e das dificuldades que o país enfrenta desde sempre. Hoje, só podem mesmo trançar cestos. Não podem mais plantar uma horta, cultivar oliveiras, criar pequenos animais, fabricar queijo, nada, nada, e nem empreender novas atividades econômicas.

Falando sobre o dia a dia na pequena vila, dona Felismina me explicou que é tudo muito simples. A cozinha é "conforme". "Comemos carne de frango, de peru, uma verdura ou outra e sopa. É conforme" -, resumiu ela. As duas amigas também me fizeram muitas perguntas. Ficaram maravilhadas com o fato de eu trabalhar fora de casa. "Existe emprego para você no Brasil? Isso é muito bom!" - comentou dona Encarnação, admirada de tudo. Mal sabe ela. No final da conversa, concordamos que éramos irmãs e, por isso, voltaríamos a nos ver, o mais breve possível. Eu acredito nisso.

Em Sortelha, visitamos mais um castelo, este datado do século 13. Só os meninos tiveram coragem de subir na torre, de onde tiveram uma vista deslumbrante da região. Meu caçula curtiu essa aventura. Foi adrenalina pura se equilibrar em pequenos degraus até chegar do outro lado da construção e avistar os morros do entorno. Eu e Cláudio nos contentamos com as migalhas, não menos deslumbrantes, do andar de baixo. Andamos um bom tempo pela cidadela e fomos nos deixando ficar até o sol começar a se por. Só aí retomamos a estrada, para não chegarmos em Castelo Branco muito tarde, pois ainda teríamos de encontrar um lugar para nos hospedarmos.
Vou concordar. Sortelha me pareceu uma cidade triste, mas quem disse que a história é alegria pura e crua? Nada. A história é assim mesmo. Tudo passa e passando deixa para trás lembranças de lutas, de celebrações, de vitórias, de derrotas, de conquistas, de perdas, de começos e de recomeços. E é assim que tentei ver Sortelha. O meu caçula não quis esquentar a cabeça com isso. Eu esquentei só um pouco e concordei rapidamente que minhas amigas são lembranças dessas travessias e o que vimos naquele dia, foi o início de um recomeço. Se isso não é verdade, pelo menos me afastou da tristeza.

A rota dos castelos 16/10

Torre do Castelo de Sabugal

Saímos de Guarda logo depois do almoço. Tínhamos duas opções: seguir em direção à Serra da Estrela ou sair pela esquerda, nos aproximando da fronteira com a Espanha, para fazer o roteiro dos castelos. E essa foi nossa opção. Pegamos uma estrada secundária para conhecer o lado de dentro de Portugal e fomos direto para Sabugal. Nada é longe naquele país e no caminho cruzamos, com certeza, algumas vilazinhas, mas nenhuma tão especial que tenha permanecido na minha lembrança. A paisagem também é mais rústica, parece uma terra de cinzas, com muitas pedras, pouca vegetação e um ou outro alguém que vimos de relance. Quando olhávamos para conferir, já tinham passado.

Sabugal é uma vila do século XVII, contornada pelo Rio Côa. Nunca foi considerada um território importante na política de expansão para sul, mas teve, em alguns momentos da história, o papel estratégico de assegurar a defesa de terras conquistadas. Foi com essa finalidade que, no final dos anos 1200, D. Dinis mandou remodelar o castelo já existente, de quatro torres, dando a ela uma plana pentagonal, reforçando-o com uma quinta torre, chamada torre de menagem. O que nos contaram, nas conversas de rua, é que essa quinta torre foi construída bem acima das quatro originais para que o Castelo de Sabugal se tornasse o mais alto do país. Não sei se procede, mas o fato é que essa torre é mesmo muito alta, dá até vertigem. Cláudio preferiu não correr o risco e ficou nos observando lá de baixo.


O Castelo do Sabugal, que na prática exercia o papel de um forte militar, recebeu benfeitorias ainda durante dois períodos da história de Portugal, mas em 1846, seu interior foi transformado em cemitério e as construções ali existentes foram demolidas.
Durante o século XX, a região, como de resto todo o interior do país, sofreu um esvaziamento radical, provocado pelos movimentos de emigração. Entre os recenseamentos de 1950 e 2001, perdeu cerca de dois terços dos seus habitantes. A região em torno do castelo ainda preserva algumas construções de pedra que nos pareceram originais, mas do alto das torres vemos a cidade nova que surgiu do lado de fora das muralhas, e que nos pareceu bem recente. Uma cidade pequena, de construções baixas, nas quais predominam a cor branca, em forte contraste com o cinza escuro das casas de pedra.

Foi em Sabugal que ficamos conhecendo o sr. José Soares, hoje responsável pela administração do Castelo. Ele nos relatou um bom período da história da cidade e, depois, um pouco da sua própria história. Na década de 80, Portugal sofria os efeitos de uma de tantas outras crises que barravam a retomada do desenvolvimento econômico do país. Muitos jovens, que haviam deixado o interior em busca de novas oportunidades, ficaram desempregados, sendo obrigados a retornar a sua região de origem.

"Cheguei em Sabugal nessa época, junto com alguns amigos. O castelo estava abandonado, tomado pelo mato e entulhos. Decidimos, então, assumir o trabalho de recuperação dessa obra e de reconstituição da sua história. Trabalhamos na limpeza do prédio e na recuperação de documentos históricos. Desde então, nunca mais saí daqui" - contou o sr. José, responsável também pela guarda dos documentos históricos da cidade, administrando o Museu de Sabugal, que, dessa vez, ainda não pudemos visitar. Além dessas atividades, o sr. José é também um colecionador de cartões postais e nos pediu que, assim que chegássemos ao Brasil, enviássemos a ele postais da nossa cidade.

Como prometi, cumpri. Enviei postais de Ouro Preto, Congonhas, Diamantina, São João Del Rei e Mariana, cidades que, evidentemente, têm muitas semelhanças com as cidades portuguesas. Ele ficou muito satisfeito e nos respondeu imediatamente, nos convidando para voltar a Sabugal e, dessa vez, com mais calma, para podermos visitar o museu da cidade. Ficamos devendo mesmo, pois queríamos conhecer ainda mais uma cidade, antes de partirmos para Castelo Branco, onde pensávamos pernoitar. Ficamos devendo também uma estadia de mais dias para descobrirmos a nova Sabugal, de atrativos que não imaginávamos, como as trilhas, os esportes radicais, a caça à perdiz, ao coelho e à lebre, as montarias ao javali, a pesca de trutas no Rio Côa e os mergulhas nas praias fluviais. Ficou mesmo para uma para outra vez.

Quem quiser conhecer mais da história de Sabugal, é só clicar aqui.

sábado, 30 de maio de 2009

Depois da farra, a austeridade - 16/10

O dia estava só começando

Depois da farra da noite anterior, retomamos a compostura. Levantamos cedo, tomamos um bom café da manhã, com pão caseiro, sucos, queijos, quitutes e outras aventuras. Fechamos a conta, a contragosto, e saímos para conhecer Guarda, uma das cidades mais altas de Portugal, a 1.056 metros acima do mar. Nessa época do ano, outubro, a cidade tem uma temperatura agradável e um céu bem azul.

Não perdemos tempo pesquisando o comércio, mas, de plano, desconfio que tem um pouco de tudo o que uma cidade precisa para a sua sobrevivência. Sem ostentação, sem muita variedade, sem muita sofisticação, mas com o suficiente para atender os desejos de um consumidor bem comportado, como, me parece, são os portugueses.

Entrada do Museu da Guarda

A nossa primeira parada foi no Museu da Guarda, instalado no antigo Seminário Episcopal, uma construção de 1600 e qualquer coisa. O prédio, de blocos de granito, é austero como outros que vimos na cidade, de linhas despojadas, frias e límpidas. No seu interior, possui um pátio enfeitado com hortências floridas que poderia ser um bom lugar para meditações, mas não dispõe de nem um banco para sentarmos e ali nos deixarmos ficar. Uma pena.
O pátio interno do Museu da Guarda
O Museu abriga perto de 4 mil e 800 peças de coleções de arqueologia, numismática, esculturas sacras dos séculos XIII a XVIII, pinturas e armarias. Só para terem uma idéia, entre as peças, estão duas espadas da Idade do Bronze, um granito policromado do século XIII, representando Nossa Senhora da Consolação e armarias do século XVII ao século XX, que ajudam a documentar a evolução das armas neste período. Os rapazes ficaram impressionados, especialmente com uma miniatura de canhão, em bronze, apelidada de Josefina, datada de 1773 e, ainda, com uma pistola de palma de mão, com carregador circular em aço, decorada com aplicações em madrepérola. A pistola, do século XIX/XX, tem um cano circular em aço, muito doido, e, na extremidade oposta, o gatilho. Não sei se é muito prática, mas que o inventor dessa geringonça viajou na maionese, não tenho dúvidas.
Eu me impressionei com as pinturas e com uma exposição, não sei se temporária, de fotos, objetos e descrição de costumes da região. Me diverti com os painéis de trava-línguas e anotei um deles para guardar de lembrança e passar para os meus netinhos que, um dia, espero, virão:






Tenho uma capa chilrada, bilrada e gabripatalhada que
a levei à chilradoira, bilradoira e gabripatalhadoira,
para que ma chilrasse, bilrasse e gabripatalhasse,
que eu pagaria a chilradura, bilradura e gabripatalhadura.




Do Museu da Guarda saímos em direção à Catedral da Sé, uma das construções mais impressionantes que vi em Portugal. Mas, antes, fomos obrigados a fazer uma parada. Enquanto subíamos uma das ruas que nos levaria até o alto da cidade, onde fica a Sé, nos deparamos com a Casa do Presunto, com seus embutidos, salsicharias, queijos e outros atrativos. Foi irresistível: compramos um queijo da Serra e meio quilo de uma linguiça defumada super saborosa. Antes do almoço, fizemos uma boquinha com a nossa matula, mas nossa ideia era mesmo trazê-la conosco para dividi-la com os amigos. Até tentamos, só que a alfândega não deixou. São uns cabras bem encrenqueiros e achamos melhor não enfrentá-los. Ainda bem que beliscamos algumas porções durante a viagem.

Por fim, alcançamos a Catedral da Sé, um monumento à austeridade. É uma construção imponente, do século XIV, de aspecto fortificado, gigantesca e belíssima, toda em granito. Mede 52m de comprimento, 16,5m de largura e 20 de altura! Do prédio original, erguido em 1119, não restou nada. Mas o que sobrevive, foi iniciado em 1390. A obra se arrastou por 150 anos e, dizem, só foi concluída durante o reinado de D. Manuel I, graças ao empenho do bispo D. Pedro Gavião, a quem se deve a elevação dos edifícios, a construção das abóbadas, das torres e do pórtico principal. E ainda reclamam das nossas obras inacabadas...Mas aqui é outra história mesmo. Imaginem as dificuldades que enfrentaram para levantar essas paredes, de 20 metros de altura!



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A Catedral da Sé tem 20 metros de altura, é uma imponência!



As gárgulas assustadoras!

Segundo os entendidos, a Catedral da Sé de Guarda é um dos últimos monumentos portugueses dos tempos do gótico, apesar de ostentar evidências também da influência manuelina. Eu, que não sou uma entendida, fiquei muito impressionada com as gárgulas que rodeiam todo o entorno da construção. Parecem demônios nos tentando e nos obrigando a entrar correndo na Catedral em busca de proteção. Coisas da minha imaginação.

As cem imagens esculpidas no altar da Sé

Contrastando com o exterior um tanto pesado da Catedral, o interior encanta pela sua leveza, um efeito provocado não sei se pela sua altura descomunal ou se pela harmonia das abóbadas ou se pelo seu ambiente extremamente clean. Pelo menos essa foi a impressão que me ficou. Lá dentro, me encantou as meias colunas espiraladas e as 100 figuras entalhadas no alto da peça de altar, executadas na oficina de João de Ruão, como dizem os portugueses, ou Jean de Rouen, como diz o guia da Folha de São Paulo. Também observei, como em outras igrejas onde estivemos, as inscrições, talhadas no chão de pedra, de nomes de pessoas que, provavelmente, estão ali enterradas. Enfim, uma visita obrigatória para quem está passando por perto.



Cenas das ruas de Guarda

Ainda rodamos em volta e no entorno da Sé por um bom tempo. Acho que estávamos tomados pelo encantamento dessa construção. Queríamos vê-la de todos os ângulos possíveis. Queríamos mais informações também, mas, infelizmente, não encontramos ninguém para nos ouvir. Com isso, já sabem, chegou a hora do almoço. Cortamos algumas ruas abaixo da Sé e encontramos o Solar da Beira, que nos pareceu muito simpático e com preços bem convidativos. Dessa vez, pedimos um bacalhau ao brás e um lombo assado. De entrada, a sopinha básica de legumes, uma refeição já quase suficiente para a nossa fome.

O bacalhau ao brás estava uma delícia e sua receita não é tão difícil assim para os não iniciados na alta gastronomia. Segundo as orientações da cozinheira, passadas em bom português, é o seguinte: refogue a cebola, o tomate e o bacalhau destroçado numa frigideira com um tanto bom de azeite. Em outra panela, frite a batata, picada em tiras bem fininhas (eu acho que é ralada com aquele corte maior). Depois, misture tudo numa panela só e jogue um ovo por cima. Foi isso que entendi, mas ainda não testei, porque gosto mesmo é de bacalhau a Gomes de Sá.

Terminada a refeição, ainda andamos um pouco pela cidade antes de buscar o carro e pegar de novo a estrada. Foi uma manhã muito proveitosa!

No meio do caminho - 15/10

Vista de casarão na cidade de Viseu
Se foi difícil encontrar uma entrada para o Porto e depois do Porto para Vila Nova de Gaia, foi muito fácil sair. Não sei se porque já estávamos um pouco mais distraídos e nos deixamos levar ao sabor do vento ou se porque, de fato, é mais fácil encontrar as saídas. O fato é que pegamos a estrada sem nem perceber. Rodamos um tempo, apreciando a paisagem e tentando relembrar alguns detalhes do passeio para, mais tarde, anotá-los, assim que chegássemos em Guarda, nosso próximo destino. Mas a conversa rendia pouco, porque, mais uma vez, adivinhem.....estávamos famintos. Claro que fizemos um lanche no Porto, mas só um lanche e já eram quase cinco horas da tarde. A sorte é que já nos aproximávamos de Viseu, uma parada no meio do caminho.


Cenas do centro de Viseu

Vou confessar. Não achei muita graça em Viseu. Me pareceu uma Divinópolis com história, sem nenhum demérito para as duas, mas sem nenhuma atração especial para nós, turistas perdidos no meio do mundo. Viseu está no centro da região vinícola do Dão e, segundo o nosso guia de cabeceira, abriga construções belíssimas dos séculos XV e XVI. Mas, como já disse, a nossa fome era muito maior que a nossa curiosidade histórica. Rodeamos a primeira praça e paramos na primeira lanchonete que encontramos: Café do Bar. Era até charmosa, com retratos de escritores portugueses e mesinhas decoradas. Mas o balcão de salgados estava completamente desfalcado.

Entramos e saímos. Andamos mais uma quadra e entramos na lanchonete do povão. Nem prestei atenção no nome, mas no balcão farto de guloseimas e salgadinhos e nas paredes, decoradas com bandeiras de times portugueses: do Porto, Benfica e, especialmente, do Sporting. Bem no fundo, reinava triunfante um bandeirão verde do time e, ao lado, uma foto da equipe, provavelmente a campeã de algum campeonato. Numa das mesas da lanchonete, identificamos o personagem da cidade: um senhor, já de alguma idade, escondido dentro de um sobretudo preto e acomodado numa das mesas centrais da lanchonete. Apesar de bem posicionado, parecia alheio ao movimento a sua volta. Lia avidamente um livro de páginas já amareladas e, só de vez em quando, levantava a cabeça. Ainda sobre a mesa, papéis em branco, uma caneta e dois outros livros empilhados, ao lado de um xícara que, suponho, fosse de café. Sobre uma das cadeiras, pousava serenamente um chapéu preto, de abas bem comportadas.

Casarão, na saída de Viseu

Viajamos. Será que ele pensa que é um Fernando Pessoa? Será que ele é Fernando Pessoa? Será um poeta? Ou será que está escrevendo um grande romance? Será que Viseu é sua personagem? De tempos em tempos, o senhor levantava a cabeça e nos olhava com seus olhos azuis. O que será que estava pensando? Será que também nos encontrara como personagens de sua história? Depois desviava os olhos e fitava a rua, onde alguns jovens, em rodinha, jogavam conversa fora. Respirava fundo e voltava para sua leitura silenciosa. Não ousei fotografá-lo, claro, mas sua imagem está nitidamente gravada nas minhas lembranças dessa cidade.

O por do sol na estrada, rumo a Guarda

Já estava entardecendo e tínhamos ainda um compromisso com Guarda, por isso não nos permitimos mais devaneios e pegamos estrada de novo. Foi uma boa decisão, pois pudemos assistir ao por do sol e relembrar os fins de tarde em Belo Horizonte. Chegamos em Guarda por volta das 7 horas da noite, a lua já estava alta e, mais uma vez ficamos meio perdidos. Mas os portugueses são muito prestativos. Encontramos, logo na entrada da cidade, Seu Vieira que, prontamente se dispôs a nos guiar até o centro e nos indicar algumas opções de hospedagem.

Graças a deus, esse também estava lotada. Era uma nota!

Tentamos, primeiro, os residenciais, por serem mais charmosos. Mas estavam todos lotados. Fiquei boba. Estávamos numa ponta perdida de Portugal e, ao que parece, junto com algumas centenas de outros turistas, que também imaginavam estar num fim de mundo. Mas seu Vieira explicou: não são bem turistas. Estão construindo um shopping na cidade e os trabalhadores estão espalhados por essas hospedagens. Partimos então para opções mais caras, mas também não tivemos sorte. O Residencial Santos, por exemplo, que nos pareceu bastante sofisticado, não tinha vagas. Por fim, seguimos o conselho de Seu Vieira e fomos para o Hotel Turismo.

Fachada do Hotel Turismo. O atendimento é nota mil!

Ele havia nos advertido que este era um hotel mais velho, mas havia sido reformado recentemente e poderíamos dar sorte de ser bem recebidos. Demos muita! Foi o melhor lugar onde nos hospedamos. Era uma construção mais velha mesmo, não antiga, mas extremamente confortável. Ficamos num apartamento imenso: hall de entrada, sala de estar, quarto imenso, com a cama de casal e mais uma, onde os meninos poderiam até ter dormido, se soubéssemos. Tinha ainda penteadeira, cômoda, closet e um banheirão de todo tamanho, com água farta e quentinha. O quarto dos meninos não ficou por menos.


Uma das vistas do quarto do hotel

Era um quarto bem grande também, com duas camas enormes, cômoda e um banheirão de todo tamanho, dava até para dar uma festa lá dentro, além de um varandão com vista para a cidade. Tudo de bom!



Detalhes da super suíte

Curtimos um pouco o conforto do quarto, pois sairíamos logo cedo pela manhã. Abrimos todas as portas de armários, vasculhamos as gavetas, pulamos nas camas de colchão de mola, demos boas gargalhadas e posamos para foto no sofá de quatro lugares da sala de estar da suíte. Os meninos aproveitaram a banheira, que mal conheciam, para tomar um banho principesco e ainda fizemos hora no varandão, contando estrelas. Só depois de um tempo, descemos para jantar. Resolvemos ficar por ali mesmo e conhecer o restaurante do hotel, instalado num salão imenso, com mesas redondas enormes, forradas com toalhas brancas e enfeitadas com um jarro de flores naturais.

Pedimos o de sempre: bacalhau. De entrada, um pão caseiro com uma porção de queijo da Serra da Estrela e um vinho tinto da região. Divinos. O queijo da Serra é feito a partir de leite de ovelhas e fabricado no inverno. É uma das preciosidades de Portugal. A mostra que experimentamos, segundo o maitre, já estava curada, pois estávamos num fim de safra, mas, na sua opinião, são os melhores queijos. Tem uma casca mais firme por fora, mas, por dentro, conserva a sua consistência cremosa. O sabor é marcante sem deixar de ser delicado. Foi uma grande entrada, melhor que o principal. Não que o bacalhau não estivesse bom, mas o queijo da Serra foi a novidade do dia. Pena ter deixado a máquina no quarto. Não pude registrar esse grande momento, para alívio dos rapazes. Depois disso tudo, apagamos.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Foi você que pediu? - 15/10

Acho que não é preciso esclarecer por que queríamos tanto conhecer Vila Nova de Gaia, mas vou explicar assim mesmo. Quem quiser pode pular essa parte. Gaia é o centro de comercialização do famoso vinho do Porto, produzido a partir de uvas provenientes da região do Douro, ao norte de Portugal. O que torna o vinho do Porto diferente dos demais não é a só a qualidade da uva, mas o fato de a sua fermentação não ser completa. Ainda na sua fase inicial, ela é interrompida com a adição de um brandy neutro. Esse processo é que torna o vinho do Porto naturalmente mais doce sem que ele perca o seu teor de álcool, mais forte que os restantes dos vinhos.

Gaia abriga exatamente os galpões onde esse processo é desenvolvido. O vinho, produzido nas regiões às margens do Douro, é transportado para esses armazéns onde é misturado e envelhecido. A Cave Porto Ferreira é uma das mais respeitadas entre os entendidos e, para nós, desentendidos, a única. Pelo menos na minha casa, Porto Ferreira e vinho do Porto sempre foram sinônimos. Por isso, foi muito emocionante conhecer o lugar onde esse vinho é preparado. Sem exagero, foi uma experiência até meio onírica, não sei se por conta da luminosidade, pois o interior da cave é mantido a média luz, ou por me sentir o tempo todo envolvida por aquele aroma de carvalho misturado ao vinho. Muito estranho. Os meninos não tiveram essa mesma sensação, mas ficaram concentrados. Foram motivados pela curiosidade e pela novidade do ambiente, ao mesmo tempo rústico e extremamente sofisticado. Adicione-se ainda algumas lendas familiares. Na casa de D. Rosa, o vinho do Porto era tratado como bebida sagrada.


Voltando a Ferreira, ela foi criada em 1751 por uma família de viticultores do Douro, mas ganhou fama mesmo a partir dos anos 1800, sob a liderança de D. Antônia Adelaide Ferreira. Dizem que era uma mulher carismática e um touro para trabalhar. O armazém que visitamos foi adquirido por ela, em 1876. A partir daí a distribuição do vinho do Porto Ferreira ganhou o mundo. Li isso num dos banners do salão principal, onde foi instalado um pequeno museu contando a história da empresa. Saberia um pouco mais, se Bernadete, nossa guia, não tivesse chegado e nos convocado para iniciar o tour.


Tentei anotar tudo que ela falava, mas ando um pouco enferrujada e registrei apenas algumas palavras soltas, expressões e alguns números que, reunidos agora, não fazem muito sentido. Mas ninguém está muito preocupado com isso, né? Basta dizer que existem três tipos de vinho do Porto: branco, ruby e tawny. São envelhecidos em grandes balseiros de madeira de carvalho, de origem francesa, que duram entre 60 e 70 anos. Os vinhos se diferenciam tanto pelo tipo de uva, quanto pelo tempo em que ficam armazenados nesses balseiros, alguns com capacidade para até 72 mil 800 litros. Os tawny, por exemplo, envelhecem apenas dois ou três anos nos grandes balseiros, passando depois para as pipas de 550 litros, que permitem um contato maior do vinho com a madeira e, portanto, com o ar. É isso que influencia a sua cor, mais puxada para âmbar dourado. Segundo Bernadete, os tawny são vinhos muito elegantes. O que ela não nos contou, mas li no Guia da FSP, é que o vinho do Porto foi inventado pelos ingleses, aqueles loucos. Foram eles que primeiro misturaram o vinho do Douro com conhaque, para evitar que ele se estragasse no trajeto das vinícolas até o Porto, onde eram comercializados. E deu certo. Os portugueses, claro, mais sensatos, aperfeiçoaram a fórmula, mas até hoje são os ingleses que dominam o comércio do vinho do Porto


Mas os mais caros e sofisticados são os das categorias especiais, produzidos com uvas de melhor qualidade ou de uma safra excepcionalmente boa. Bernadete garantiu-nos que isso acontece em duas ou três colheitas a cada dez anos. Uma raridade mesmo. Entre os especiais, estão os Vintage e os Late Bottled Vintage, ou LBV (não o confundam com a Legião da Boa Vontade!). Vintage é a classificação mais alta que um vinho pode alcançar. Além de ser obtido da colheita de um só ano, essa tem de ser daquelas, excepcionalmente boa. Ele é envelhecido em tonéis de carvalho por no máximo dois anos e depois é engarrafado, onde o processo continua por mais três ou quatro anos. Bernadete nos mostrou uma garrafa de Vintage de 1815 e outra de 1863, as mais antigas da cave! Custam a bobagem de dois mil e quinhentos euros. Eu não arriscaria.


Os LBV, por sua vez, também exigem uvas de qualidade especial, mas envelhecem de quatro a seis anos dentro dos balseiros e, depois de engarrafados, evoluem muito pouco. Vimos ainda uma prateleira com garrafas da aguardente Ferreirinha e outras preciosidades da Casa, como o Dona Antônia, o Quintas do Porto e o Duque de Bragança, vinhos especiais, mas já não me lembro se reserva, vintage ou LBV. No final fomos levados à sala de degustação, onde experimentamos um cálice de vinho do Porto branco, bem gelado, delicioso!; e outra de um twany de quatro anos, também saboroso. Faltaram os petiscos, mas como já estava na nossa hora, nem reclamamos. Saímos de Gaia por volta das 16 horas e pretendíamos chegar a Guarda antes de escurecer. Mas já sabíamos que esse plano era improvável.

A sala de degustação e os rapazes, ansiosos, a espera da nossa cota.
Saímos sóbrios, porém tontos de tanta informação. Ao lado, o barco da Ferreira.
Outra vista do Porto e um campo de futebol do famoso time do Candal. Vai saber....

domingo, 22 de fevereiro de 2009

A perdição - 15/10

O Porto visto do lado de lá do Rio Douro

Não foi difícil encontrar a cidade do Porto. Como já disse, as estradas são bem sinalizadas. Mesmo um ignorante topográfico não consegue se perder nesses caminhos. Ralamos mesmo foi para entrar na cidade. Perdemos a primeira chance, mas nem nos desesperamos. Ficamos tranqüilos, pois haveria de ter outras entradas. E, de fato, poucos metros à frente encontramos nova placa sinalizando o Centro de Porto. Entramos e caímos numa avenida e, dela, não sei como, voltamos para a estrada. Entramos novamente e saímos outra vez. Por fim, conseguimos adentrar a cidade, mas resolvemos, sabiamente, estacionar o carro na primeira vaga que encontramos, na Rua do Monte dos Burgos com Senhora do Porto e pegar um táxi.

A verdade é que não pretendíamos demorar muito no Porto. O nosso objetivo era Vila Nova de Gaia e, depois, Guarda, onde planejávamos pernoitar. Assim, interpretamos as dificuldades que tivemos para entrar na cidade como um sinal de que não deveríamos mesmo gastar muito tempo por ali. O táxi nos ajudou a cumprir essa decisão. Fomos direto à Livraria Lello, que fica na Rua das Carmelitas, próximo à Torre dos Cléricos. Minha irmã havia me advertido de que não deveríamos passar pelo Porto sem ao menos dar uma entradinha na Livraria. E não passou pela nossa cabeça desobedecê-la. Fomos, entramos e ficamos por lá um bom tempo. Mais que divina, como Enrique Vila-Matas a definiu, a Lello é um sonho, com um estoque de mais de 120 mil títulos diferentes, com histórias contadas nas mais diversas línguas. É uma perdição. E mais, a Lello tem um livreiro.

Vocês devem se lembrar de que estava procurando um livro para trazer para o meu pai; que fiz várias tentativas em Lisboa e que, em algumas das livrarias que entrei, os jovens vendedores nem sabiam do que eu estava falando. Mas na Lello foi diferente. Já na entrada, expus o meu problema para o senhor que veio nos receber. Ele me ouviu atentamente e comentou:

- A Ceia dos Cardeais, de Júlio Dantas. Anhan. A última edição está esgotada, mas acho que ainda tenho um exemplar aqui.

E sumiu para dentro da livraria. Nós acabamos de entrar e, no segundo passo, paramos e perdemos o fôlego. O interior do prédio, projetado por Xavier Esteves e inaugurado em 1906, é estonteante. Toda a decoração das paredes e do teto são de gesso imitando madeira e no alto do teto, um vitral deixa escapar uma luz morna que torna o ambiente ainda mais aconchegante. A escadaria, que leva ao segundo andar, uma das primeiras construções de cimento armado da cidade, é fantástica. Toda coberta por um tapete vermelho, se enrosca no espaço e, no segundo lance, se abre em duas, conduzindo os visitantes para as galerias do andar superior. Não sabia se olhava os livros ou se ficava só admirando o prédio. Um dilema.





Depois de um tempo, nos acostumamos e fomos olhar os livros. Queríamos vários, mas não cedemos à tentação. Pinçamos apenas um ou dois para cada um. Escolhi um de Florbela Espanca e outro de vinhos para meu irmão. Os rapazes encontraram Uma pequena história de Portugal, um de culinária portuguesa e outro de vinhos. De brinde, me dei uma edição portuguesa de um exemplar de Mia Couto. Todos concordaram. E já estávamos quase desistindo de esperar a volta do nosso livreiro, quando ele nos encontrou no pé da escada. Vinha eufórico, com um livro na mão, agitando-o no ar como se fosse uma bandeira.

- Não disse, não disse. É o último, mas é um!

E nos entregou o exemplar de uma edição especial da Ceia dos Cardeais, exatamente a que procurávamos. Foi um sucesso. Conhecemos uma das três livrarias mais bonitas do mundo, assim classificada pelo periódico inglês The Guardian, e a única projetada para tal e, de sobra, tivemos a sorte de conhecer um livreiro digno do título. Saímos da Lello satisfeitos, mas, para variar, famintos. Demos uma volta rápida pelas redondezas, compramos algumas lembranças, como a “camisola” do Porto e outras besteirinhas e fomos procurar algum lugar para petiscar, antes de sairmos para Vila Nova do Gaia.

Aportamos na Confeitaria dos Cléricos, onde fizemos um lanche rápido. Mas, antes disso, fizemos uma vistoria em torno da Torre dos Cléricos, ponto de encontro dos jovens da cidade. É uma construção do início dos anos 1700, com seis andares e 76 metros de altura. Durante um bom tempo foi considerado o prédio mais alto do Porto, com uma escadaria em espiral de 225 degraus. Claro que não entramos para conferir, mas li isso em algum lugar. A torre, segundo os entendidos, é em estilo barroco e integra o conjunto dos Cléricos, do qual fazem parte ainda uma igreja e uma enfermaria. O projeto original de Niccolò Nasoni previa a construção de duas torres, mas deve ter faltado ouro no Brasil, pois a obra ficou só na primeira.
Registrei outros prédios no entorno da Torre, mas não saberia identificá-los agora. Aliás, se não terminar logo esses relatos, vou ter muito pouca coisa para contar daqui pra frente, pois já estou me esquecendo de muitas das histórias interessantes que ouvi por lá e de algumas curiosidades que observei ao longo do caminho.

Por exempo: a medida que nos afastávamos de Lisboa, o bacalhau deixava de ser a grande atração do cardápio para ser substituído por outras carnes, especialmente a de porco. Vejam abaixo as novas opções e seus respectivos preços. Isto é, se conseguirem ler.




Vimos ainda uma loja de sapatos, com algumas botas interessantes. Mas o que nos chamou atenção mesmo foi o nome da loja: Pedantes!. E mais uma igreja, mas os meninos se recusaram a visitá-la. Tudo em nome do equilíbrio. Aceitei.

Então, resumindo: já abastecidos, tomamos o caminho de volta a Rua da Senhora do Porto para resgatar o carro e caçar o rumo de Vila Nova do Gaia. Outra vez, apesar da explicação bem precisa do motorista do táxi, tivemos dificuldade para entrar em Gaia. Erramos o caminho duas vezes, mas, quando entramos, caímos direto na Avenida Ramos Pinto e bem em frente a Caves Porto Ferreira, a beira do Rio Douro. Essa visita merece um capítulo especial.